Robertinho Silva - O mestre da percussão brasileira

Robertinho Silva

Robertinho Silva, nascido no Rio de Janeiro em 1 de junho de 1941, é um dos poucos mestres brasileiros que é considerado baterista e percussionista. Nascido e criado em comunidade, onde cresceu, filho de nordestino, tinha o costume de batucar na mesa de sua casa, que tinha uma frequência grave e simulava bem o surdo da escola de samba. Nessa mesma época pegou uma lata e encheu de milho transformando num ganzá (chocalho). E assim nasceu sua paixão pela percussão.

É autodidata começando a tocar bateria ainda criança. Teve influência dos baterista de samba e bossa nova. Quando jovem, após ter conseguido uns "trocados" foi ao cinema escondido ver um musical e se impressionou ao ver o formato da bateria americana, pois no Brasil, entre os anos de 1930 e 1940, pratos eram muito difíceis de comprar devido a carestia da época. Para compensar a falta do instrumento, que também era caro, pois a maioria dos instrumentos eram de empresas americanas e produzidas fora do país, Robertinho teve a ideia de juntar caixotes, sem direito a pedais de bumbo, uma tampa de panela velha que simulava o prato e assim era sua bateria.

Seu primeiro contato com a bateria se deu quando conheceu um rapaz que se hospedava em um dos quartos que seu pai alugava, disse-lhe que a sua mãe alugou o quarto para um soldado que tocava bateria no quartel, logo Robertinho ficou empolgado com a notícia. Num sábado enquanto o soldado estava praticando no instrumento, Robertinho colocou o rosto entre a porta, vendo o menino, o soldado perguntou se ele tocava bateria, de maneira ousada responde: "sim", daí o soldado o convidou a tocar. Apesar de ter sido criado no Rio de Janeiro,  ao invés de tocar samba, o jovem largou um baião. Nesse mesmo dia o soldado levou-o para um baile. Chegando no local tocou bongô, maraca, mas sua atenção estava voltada para a bateria. Foi no momento, como quem não queria nada, que ele soltou: "pow, queria tanto tocar bateria", foi então que o soldado falou: "ahh, eu te empresto a bateria do quartel", foi então que Betinho se realizou. Então ele levou o soldado para morar nos quartos que seu pai alugava. No dia seguinte pegou a chave que ficava na porta e disse para seu irmão não dizer que tinha entrado no quarto dele, pegou a bateria montou e passou o dia inteiro tocando. Às 16 horas acabava o expediente no quartel, ele desmontava toda a bateria e colocava no lugar.

O início de sua carreira, no final dos anos 1960, aconteceu com seu ingresso no grupo “Som Imaginário”, do qual faziam parte também Wagner Tiso, Luiz Alves, Fredera, Zé Rodrix e Tavito. Desde então tem participado de gravações e concertos com grandes nomes da música nacional e internacional. Participou de vários festivais de música importantes, como os de New Port, Berlim, Free Jazz Festival, JVC New York, Montreaux, Midem, entre outros.

Além de Airto Moreira, Edison Machado, Nenê (Realcino Lima Filho), Zé Eduardo Nazário, Dom Um Romão e Paulo Braga, também é considerado um dos definidores da linguagem brasileira na bateria. Suas performances misturam virtuosismo e uma capacidade cômica que não é raro o tornar a atração principal no palco.

Além das gravações em estúdio, destacam-se suas performances ao vivo com Milton Nascimento (com quem trabalhou por 26 anos), Herbie Hancock, João Donato, Tom Jobim, Wayne Shorter, Pat Metheny, Paul Horn, George Duke, Egberto Gismonti, Airto Moreira, Flora Purim, Raul de Souza, Dori Caymmi, Cal Tjader, Sarah Vaughan, Gilberto Gil, João Bosco, Toninho Horta, Gal Costa, Nana Caymmi e Chico Buarque. Mais recentemente, trabalhou com os cantores Lisa Ono, Guilherme Vergueiro, Wanda Sá, Mônica Salmaso, o saxofonista Bud Shank e o guitarrista George Benson. Em 2009, gravou o disco "Padedê de Sararás", em duo com o guitarrista capixaba Zé Moreira. O disco, independente, foi gravado com o apoio da Lei Rubem Braga.

Atualmente Robertinho Silva dedica-se à carreira solo e à pesquisa dos ritmos folclóricos de todas as regiões do Brasil. Faz shows, ministra cursos, seminários, oficinas e workshops, enfocando ritmos brasileiros. Faz também inúmeros trabalhos com a "Família Silva", composta por ele e seus filhos, Ronaldo, Vanderlei, Pablo e Thiago, que também são músicos. Além disso, desenvolve projetos juntamente com companhias de dança e teatro. Em seus planos está o lançamento de um livro sobre os ritmos brasileiros.


Discografia de Robertinho Silva:

1981 Música Popular Brasileira Contemporânea - Philips Records
1984 Bateria - Carmo
1991 Bodas de Prata - Sony Music (relançado no Japão em 91 e em 95 nos EUA com o título “Speak no Evil”, dedicado ao saxofonista Wayne Shorter)
1995 Shot on goal - Miles Stone (Fantasy)
2000 Jaquedu (com Ney Conceição) - Independente
2002 Mixtura Brasileira (com Alexandre Birkett) - Prestige Elite
2005 lançou dois discos independentes: “Batucajé”, ao lado dos músicos, e também pesquisadores de ritmos brasileiros - Simone Soul, Alfredo Belo e Jadna Zimmermann - e “Laska Mão”: grupo percussivo de música instrumental brasileira.
2009 Padedê de Sararás (com Zé Moreira) - O disco do duo foi uma produção independente com o apoio da Lei Rubem Braga
2011 União (Eduardo Machado)
2012 Cordas e Tambores (com Alexandre Birkett)
2016 União 2 (com Eduardo Machado)

Veja mais trabalhos do grande Robertinho Silva:

Robertinho Silva - Cravo e canela | Instrumental Sesc Brasil

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Aprenda tocar pandeiro com Robertinho Silva

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Fonte: Wikipédia, Sesc Instrumental Brasil, Discogs, Google, Youtube


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